A Odontologia no contexto de Mercado

megaphone-50092_640Acabei de ler a matéria do jornal O Globo que revela o cenário da saúde bucal do Brasileiro – Leia a Matéria aqui –.  Quando li o dado que diz que 55,6% do país não procurou por dentista no último ano (este foi 1 dos diversos dados que mostram como a consciência de saúde bucal é  pequena entre os brasileiros); na mesma hora,  lembrei de outra matéria que havia lido há algum tempo, sobre o hábito dos brasileiros em frequentar os shoppings (habito este criado após o boom do consumo com o aumento da renda no Brasil). A matéria traz o seguinte dado: 2 em cada 3 brasileiro (65%) vão ao shopping pelo menos 1 vez por semana. Opa… Mas qual seria a relação entre essas 2 matérias? Continue lendo o texto e julgue se faz sentido o raciocínio que me ocorreu.

Bem, antes de discorrer sobre este raciocínio que acabou me motivando a escrever este post, gostaria de lembrar que a matéria do jornal O Globo, apresenta os fatos do ponto de vista social e deve ser observado por este lado também. A questão da negligência do governo em cuidar da nossa saúde (não obstante as altas taxas de impostos que pagamos) merece nossa indignação e crítica. Inclusive quando percebemos que a maior parte da população tem grande desinformação em relação a questão da sua saúde bucal (essa culpa é do governo e da classe odontológica, mais à frente você vai entender porque). E ainda, quando vemos que 75% dos atendimentos de saúde bucal acontecem na rede privada, acende um alerta de que algo está errado em nossas políticas publicas para saúde.

Posto isso, gostaria de pedir sua licença para explorar essa informação sobre a saúde bucal dos brasileiros de outra forma. Quero usar essas 2 matérias e os seus dados para exercitar um raciocínio de cunho mais econômico e mercadológico. Vamos lá…

Já há algum tempo penso sobre os motivos pelos quais a odontologia não é tão prospera (pelo menos para a maioria) como poderia e deveria ser; e porque ela não é tão valorizada por parte dos brasileiros. E claro, pensei em diversos fatores como causa. Mas há um fator que, em minha opinião, é muito importante e ele se apresenta com maior relevância quando olhamos para a prática da odontologia em um contexto de mercado.

Vivemos em sociedade e este viver inclui a dimensão econômica; sendo assim, todos somos, como dizem os economistas, “agentes econômicos” e potenciais consumidores. Desta forma, todos outros agentes ao nosso redor (empresas e indivíduos que oferecem serviços e produtos) trabalham em prol de direcionar o fluxo de nossas rendas para eles. Isso faz parte da dinâmica econômica.

Trazendo para nossa realidade, o fenômeno que estou buscando ilustrar com o confronto destas 2 matérias é que, você dentista, que exerce sua profissão e obviamente precisa ser remunerado por ela, concorre com um gigantesco mundo de possibilidades de consumo que existe diante deste “possível paciente/cliente”.

O seu “possível paciente”, é um consumidor, e na hora de gastar o dinheiro dele, ele lança mão de seus critérios de preferencias, porque o bolso dele é um só. E pelo que conseguimos perceber, aqui no Brasil, a saúde bucal, não tem tido um posicionamento relevante na lista do que é mais importante para os brasileiros..

Essa situação onde este individuo não tem informação e instrução o suficiente (vide os dados da matéria) para atribuir valor aos critérios de sua saúde bucal, preferindo muitas vezes toda e qualquer possibilidade de consumo, prejudica a ele, porque sem a orientação adequada ele negligencia sua própria saúde. E estabelece um cenário difícil para o profissional que milita nesta função. Desta forma, sob o viés mercadológico, se quase 60% dos brasileiros não atribuem valor a aquilo que é objeto do oficio e renda para determinada profissão, no caso o dentista, a situação da odontologia fica realmente em dificuldades.

É claro que não estou tratando aqui de parte da população que mal tem o mínimo para viver. Estou me referindo a uma parte significativa de brasileiros que, com o aumento de renda na primeira década dos anos 2000, obteve maior poder de consumo. Mas que, por falta de informação e estimulo, muitas vezes, prefere comprometer sua renda com a compra de um novo celular, ou uma nova televisão, no lugar de investir em sua saúde. (Também não quero construir juízo de valor negativo para essas pessoas, porque elas são, muitas vezes, apenas reféns da lógica do jogo).

Muito bem. Eu dei essa volta toda, quis te posicionar sobre o contexto da dinâmica de mercado e usei o exemplo das 2 matérias para você compreender melhor o fator que quis abordar neste texto como importante no processo de valorização da odontologia e conscientização da população sobre sua saúde bucal. Sendo assim, apresento o que imagino ser fundamental para a melhor percepção da odontologia no Brasil:

O Dentista precisa se comunicar melhor, a Odontologia precisa se apropriar dos instrumentos de comunicação e MKT para conscientizar a população sobre a importância da saúde bucal e o valor que o dentista tem para ela.

Do ponto de vista social, a presença do Dentista nas mídias impressas, radio, tv, ou qualquer meio de comunicação (propaganda ou não), vai construir um ambiente de informação e de estimulo para população cuidar mais da saúde de seu sorriso. Se você parar para observar, a classe médica se apropria muito mais dos meios de comunicação. Não é raro termos a presença de médicos de diversas especialidades em programas de TV ou de rádio, ou em matérias de revista e jornal. Eles usam melhor os meios de comunicação de modo a conscientizar a população e gerar valor para a classe deles.

Do ponto de vista mercadológico, a classe odontológica precisa parar de competir entre sí, dentista contra dentista. É preciso entender que entre a classe é preciso unir forças para fortalecer ainda mais a odontologia, só assim será possível mudar este cenário.  Tenho visto parte dos dentistas disputando de forma desleal os pacientes. Esta prática não ética e muito menos a mais inteligente:

  • Primeiro, porque este dentista poderia estar gastando suas forças (e recursos) para informar e estimular melhor a parte da população (quase 60%) que por desinformação não enxerga valor em cuidar da sua saúde e do seu sorriso. Não te parece mais razoável aumentar a demanda de 40% para 100% em vez de ficar disputando somente em cima dos 40%?
  • O segundo motivo é a pratica equivocada do preço. De uma vez por todas o dentista tem que saber gerar valor para o seu ofício. Porque ele é realmente importante na sustentação do pilar da saúde e expectativa de vida da sociedade.
  • O terceiro motivo é que a disputa deve ser com os atores externos à odontologia, ou seja, a classe tem que se unir e  construir um ambiente de informação e conscientização sobre a importância da saúde bucal e do profissional da odontologia. Somente assim os pacientes que são ao mesmo tempo consumidores no espaço econômico estabelecerão preferência ao que de fato importa, sua saúde.

Se o dentista não se apropriar dos meios de comunicação e MKT, os outros agentes econômicos (Empresas de eletrônicos, de moveis, entretenimento, etc, etc) irão fazê-lo. E assim, atrair para eles o fluxo da prosperidade. Não quero levantar aqui uma discussão sobre a conduta destas empresas, não é o caso, o fato é que na dinâmica do mercado, elas estão no papel delas e já entenderam as regras do jogo. Mas, em minha opinião, ter saúde é mais importante do que ter um celular novo. E se os dentistas não se atentarem para isso, continuaremos tendo uma grande população de desdentados com sérios problemas de saúde e de autoestima assistindo  novela em televisões de última geração.

Gostaria de ouvir sua opinião sobre a odontologia no Brasil. Por favor, acesse este link e responda a 2 perguntas. Muito obrigado. 

Jirres Edmundo
(11) 4063-2778 | (16) 99617.3597
edmundo@radiologiaeinovacao.com.br
http://www.facebook.com/jirresedmundo

A Odontologia no contexto de Mercado

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